O que podemos fazer [educar, mudar, quebrar o padrão]

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Obs. Para ler a parte 1, clique aqui, a parte 2, aqui, e a parte 3, aqui.

Parte 4 e última da série “quebremos o padrão

Nos últimos posts, fiz um trabalho de identificar e mostrar diferentes casos de opressão na questão dos nomes que temos. Mas como opressão é algo que sempre parte de uma norma imposta, há um leque de preconceitos que se interseccionam. A questão final é: como trazer mudança?

Sinto que a mudança já está acontecendo. Cada vez mais sou surpreendida por pessoas que entendem meu nome de primeira, o falam corretamente e não reproduzem essa reação que eu me habituei a receber das pessoas a vida toda. E falando de interseccionalidade de novo, percebo que isso está ocorrendo em relação a todos os demais preconceitos que sofro. Claro que aqui e ali, ainda tomo uns sustos quando ouço comentários racistas, machistas e homofóbicos. Mas acredito que, por mais que seja cansativo, precisamos fazer o trabalho de educar. Trazer consciência para o assunto e educar.

Eu batizei essa série de “Quebremos o padrão” e o tempo todo me referi a mim e a tudo que não é padrão como sendo algo diferente. Foi então que me deparei com um pequeno texto da Grada Kilomba e percebi que a mudança que precisamos é muito maior do que a que eu imaginava. A gente não precisa ser aceito apesar de sermos diferentes. Precisamos desconstruir a norma.

Escolhi não escrever muito mais e deixar apenas o texto a seguir como reflexão pra trazer mudança a quem teve interesse e paciência pra ler meus últimos posts. E pra trazer mudança pra mim mesma também.

“As pessoas brancas não se vêem como brancas, se vêem como pessoas. E é exatamente essa equação, “sou branca e por isso sou uma pessoa” e esse ser pessoa é a norma, que mantém a estrutura colonial e o racismo. E essa centralidade do homem branco não é marcada. E como nesses movimentos como o Critical Whiteness, o que eu faço no meu trabalho é justamente começar a marcar.

E o que quer dizer marcar? Quer dizer também falar sobre diferenças. Por exemplo, como pessoas negras, muitas vezes, somos referidos como diferentes. E eu coloco a questão: diferente de quem? Quem é diferente? Tu és diferente de mim ou eu sou diferente de ti? Pra dizer a verdade nós somos reciprocamente diferentes. Então a diferença vem de onde? Eu só me torno diferente se a pessoa branca se vê como ponto de referência, como a norma da qual eu difiro. Quando eu me coloco como a norma da qual os outros diferem de mim, aí os outros se tornam diferentes de mim. Então é preciso a desconstrução do que é diferença.

Outro mito que precisamos desconstruir é de que muitas vezes nos dizem que nós fomos discriminados, insultados, violentados porque nós somos diferentes. Esse é um mito que precisa acabar. Eu não sou discriminada porque eu sou diferente, eu me torno diferente através da discriminação. É no momento da discriminação que eu sou apontada como diferente. Desconstruir o racismo e descolonizar o conhecimento. Às vezes podem soar apenas como palavras, mas possuem uma construção teórica imensa.”

Grada Kilomba, em entrevista concedida a Djamila Ribeiro

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